quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Modernidade ou Futebol de Negócios?


Por: Almir Moreira - Advogado


O futebol brasileiro é uma arte e cultura popular inventada e sustentada por gerações de brasileiros. Porém, ultimamente há sinais por toda parte para transformá-lo numa simples mercadoria, sob uma falsa alegação de sua modernização. Na verdade, é um filão da nova etapa da economia de mercado. A caminhar  deste jeito se estará promovendo uma brutal elitização deste segmento da cultura. 

O negócio se estende por todos os lados, tudo que dá lucro passa a interessar, basta ver as camisas dos Times, todo ano muda, e agora tem até camisa comemorativa, tudo técnica para vender. Meu guarda-roupa está repleto de camisas do meu Palestra. Outro dia reformaram o maracanã, diminuíram seu tamanho, a geral local de belíssimo espetáculo carnavalesco e lúdico do povo foi para o beleleu. Agora estão reformando novamente, a desculpa é a copa. Nas farras vão gastando mais de 2 bilhões de reais. Isso sem falar na construção de outros estádios sem a menor necessidade como, por exemplo, o Engenhão. Os estádios estão mais parecendo estúdios de televisão, ano passado fui ao Albertão em Teresina assistir ao Palestra jogar, e do lado onde fiquei não se via a faixa lateral do campo, as placas de propaganda tiravam a visão. A televisão manda e desmanda, os jogos do meio de semana servem de sobremesa da novela. Os ingressos sobem ao deus dará. Dirigentes do Atlético Paranaense e do Coritiba disseram: do primeiro, a meta é o futebol atingir o público da classe A e B, o do segundo, o torcedor do Coritiba que não se associar vai pagar ingresso de R$ 100,00 (cem reais). O torcedor está se transformando em telespectador. Na escolinha de futebol dos clubes só jogam os que têm empresários, talento fica em segundo plano, o que interessa é o negócio.

Tudo estória esta propalada modernização, porque o que importa continua como “dantes no quartel de Abrantes”: a estrutura política administrativa do futebol é feudal, há décadas os dirigentes são os mesmos, apoiados num modelo que facilita esta manutenção, tanto na CBF como nas federações estaduais.

Este é o principal mandamento do futebol-mercadoria: dai aos ricos o futebol.  Aos pobres deixe que eles paguem a conta, afinal o dinheiro para reformar o maracanã por duas vezes em menos de cinco anos sai de seus bolsos.

Nenhum comentário: